quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013


Fim de semana em Dili

 A mala já está pronta. O almoço de piquenique também.  Há coisas para fazer em Dili e não há tempo a perder. Temos de chegar antes das 18h.

Depois das aulas, rumamos à capital. O piso da estrada piorou, pois agora os buracos estão um pouco maiores. Mas, tenhamos esperança por viagens melhores. Já há alguns troços do percurso que estão a ser alargados e arranjados. E parece que há um avião por 30 dólares a viagem!!

O dia está radiante. O sol brilha e dá a toda a paisagem uma tonalidade diferente. O verde parece mais verde, o azul do céu confunde-se com o azul do mar. Não há uma réstea de vento e aquele azul turquesa das águas cálidas e calmas do mar de Timor parece chamar-nos  para nele mergulhar. Avizinha-se um fim de semana de descanso. Paragem a meio do percurso, em Maubara, lugar muito agradável onde um antigo forte foi convertido num simpático restaurante rodeado de arvoredo e virado para o mar. Descanso e saboreio uma panqueca coberta de compota, especialidade da casa, ao mesmo tempo que acrescento mais umas fotos ao meu álbum de recordações. Quase não há tempo para espreitar as pequenas casotas de venda de lembranças feitas em folhas de palmeira. Fica para o regresso.

 Pelo caminho, porcos chafurdam em charcos lamacentos, cabras escalam saltitantes os montes à procura de rebentos mais tenros, galos anunciam a sua presença à nossa passagem e até as vacas parecem mais gordas. Rios vazios de água mas cheios de areia grossa arrastada pelas enxurradas que quase diariamente, nesta época, assolam o território, parecem à primeira vista, estradas em obras. No leito seco, apenas se conseguem ver aqui e ali pequenos charcos de água. Bastará uma tarde de chuva para que a paisagem se transforme.

Aos poucos, o trânsito aumenta. Aproximamo-nos da capital. Instalamo-nos. Refrescada pelo merecido banho, são horas de ir jantar ao OMB onde saboreio uma bela piza embalada pelo som de um trio que muito agradavelmente nos acompanha nessa noite. A dor de garganta, que já dera sinal de manhã, acentua-se. Regressamos todos a pé iluminados pela luz das estrelas, dos focos dos telemóveis e dos poucos carros que circulam. Adormeço, estou cansada. Há que recuperar forças para o dia seguinte.

De loja em loja, compras aqui e acolá, rapidamente se chega à hora do almoço.

Uma rápida visita à agência de viagens, à papelaria/livraria e ao supermercado em frente.  Num frigorífico , vislumbro algo que já não via há quase um mês: iogurtes sólidos de uma marca portuguesa. Decido ali. O meu almoço desse dia serão 3 iogurtes e fruta. Na loja ao lado, mais fresca, saboreio 2 deles. Sem colher é um pouco complicado mas com algum jeito consigo beber/comer 2. Que saudades! Que saborosos! O outro fica para acompanhar o ananás que irei comprar no mercado.

O calor convida a uma passagem pela praia. Por que não? A chegada à praia será demorada. Pelo caminho, eu e a minha companheira de quarto, admiramos a paisagem e registamos tudo o que de mais belo encontramos. Nesta viagem não vamos sós. Um cão desconhecido acompanhar-nos-á em quase todo o percurso. Simpático! Se paramos, ele para, se andamos ele anda. Encontramos pessoas conhecidas: pessoas do grupo que já regressam e outros professores portugueses que, como nós, resolveram passar por Dili neste fim de semana.

Vemos barcos de pesca à espera que o dia passe, pessoas a descansar debaixo do arvoredo ou a varrer o terreno em volta da sua casa, microletes apinhadas de gente e motas num constante vaivém.

E o que dizer das frondosas árvores que crescem dentro de água salgada?

E aquela mais ali à frente que, aparentemente morta, teima, resiste e mostra alguns dos seus ramos verdejantes lutando contra o destino.

Chegadas à Praia da Areia Branca (suponho que deve o seu nome à cor da areia em contraste com a das outras praias por onde passámos), é hora de dar um mergulho, A sensação é estranha. A água é quente e calma. Está a cerca de 28 graus Celsius. Não há uma única onda. Ando, ando e a profundidade da água não se altera. Mais umas fotos. Do leve almoço não resta mais nada. Uns belos chocos fritos acompanhados de umas saborosas batatas fritas e um sumo de papaia e laranja para mim e uma cerveja para a minha amiga, servem para aconchegar o estômago.

Entretanto os nossos companheiros de Maliana estão já de regresso ao hotel. Alertam-nos para o rápido entardecer. Não faz mal. Podemos sempre apanhar um dos inúmeros táxis amarelos que passam e apitam chamando a atenção do turista. Começa a chover. Abrigamo-nos debaixo das árvores. Afinal passa rápido e resolvemos regressar a pé.

Nessa noite, fico no hotel a descansar.

Domingo: o dia amanhece quente. Uns vão até à praia para mais um mergulho, outros aproveitam para ocupar a manhã de outra forma. Vou até ao mercado: fruta, hortaliças, peixe… Há bastante movimento. É preciso dar atenção ao trânsito (aqui circula-se pela esquerda) e afastarmo-nos para não sermos salpicados de água suja dos charcos que ainda não secaram.

Todo o grupo se junta. Almoçamos no Hotel Timor onde encontro outros colegas portugueses que também estão de partida para os seus distritos. Compro um miminho e recordo Portugal: pastel de nata (2 dólares). São horas de fazer as compras que não puderam ser feitas antes e fazer o caminho de volta a Maliana. Os carros vêm carregados. Há bagagem por baixo e por cima dos bancos. Só resta espaço para nos sentarmos. E a dor de garganta que não alivia. O anti inflamatório mais parece um placebo. Terei de tomar o antibiótico quando chegar a casa. Não posso esperar mais. A voz está a desaparecer também e amanhã tenho de trabalhar.

À 1ª paragem, novamente em Maubara, sucedem-se muitas outras. Ora para tapar melhor a carga (as nuvens escuras por cima das montanhas anunciam chuva forte para a noite), ora para comprar combustível, fruta ou peixe fresco que o motorista dependurará no exterior da parte da frente do mini bus. Chegamos quase às 9 horas da noite. A viagem foi cansativa. Arrumamos as compras, tomamos banho e comemos qualquer coisa. Amanhã é dia de trabalho.

 

 

 

 

5 comentários:

  1. Que delicia...
    Porque não me convidas ?
    Beijinhos

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  2. Olá Maria de Jesus.
    Obrigado pelo seu mail resposta.
    Na verdade deleito-me com a leitura de cada uma das suas narrativas sobre o que é a vida, a sua vida, aí por terras de Timor.
    Já lhe passou pela cabeça fazer uns cadernos de viagem com todos esses seus escritos?
    Seria um trabalho bem interesante, já que a escrita é maravilhosa e apaixonante e as fotos que lhe dão cobertura focam bem os pontos de interesse que são relatados com tamnho preciosismo e observação.
    Noto que o seu estado de espirito está a descrever uma sinusoidal, isto é, está por vezes com picos superiores e inferiores, o que se compreende dado o pouco tempo em que ai está.
    Vai ver que com o tempo, com o afastamente desta urbe em que aqui vivemos, se vai adaptando a certas faltas, mas que são compensadas com outras ofertas que aqui não temos.
    Tudo é belo na natureza e, em cada dia há uma descoberta que só nos melhora o conhecimento e nos enriquece o espírito.
    Desejo-lhe as maiores venturas e boa saúde.
    Creia que tem aqui em mim um leitor ávido e assíduo.
    Um beijo.
    Fernando Gaçveia

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  3. ....e eu a dar-lhe com o Jesus e a esquecer-me de Deus.......
    I beg your pardon....
    Beijo,
    FGalveia

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  4. Tb eu estou gostando das tuas crónicas. Continua colega que eu vou dando uma espreitada. A verdade é que bem lá no fundo cresce um sentimentozinho de inveja. Força! Bj Eunice

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