Fim de semana em Dili
A mala já está pronta. O almoço de piquenique também. Há coisas para fazer em Dili e não há tempo a perder. Temos de chegar antes das 18h.
Depois das aulas, rumamos à capital. O piso da estrada
piorou, pois agora os buracos estão um pouco maiores. Mas, tenhamos esperança
por viagens melhores. Já há alguns troços do percurso que estão a ser alargados
e arranjados. E parece que há um avião por 30 dólares a viagem!!
Aos poucos, o trânsito aumenta. Aproximamo-nos da capital.
Instalamo-nos. Refrescada pelo merecido banho, são horas de ir jantar ao OMB
onde saboreio uma bela piza embalada pelo som de um trio que muito
agradavelmente nos acompanha nessa noite. A dor de garganta, que já dera sinal
de manhã, acentua-se. Regressamos todos a pé iluminados pela luz das estrelas,
dos focos dos telemóveis e dos poucos carros que circulam. Adormeço, estou
cansada. Há que recuperar forças para o dia seguinte.
De loja em loja, compras aqui e acolá, rapidamente se chega
à hora do almoço.
Uma rápida visita à agência de viagens, à papelaria/livraria
e ao supermercado em frente. Num
frigorífico , vislumbro algo que já não via há quase um mês: iogurtes sólidos
de uma marca portuguesa. Decido ali. O meu almoço desse dia serão 3 iogurtes e
fruta. Na loja ao lado, mais fresca, saboreio 2 deles. Sem colher é um pouco
complicado mas com algum jeito consigo beber/comer 2. Que saudades! Que
saborosos! O outro fica para acompanhar o ananás que irei comprar no mercado.
O calor convida a uma passagem pela praia. Por que não? A
chegada à praia será demorada. Pelo caminho, eu e a minha companheira de
quarto, admiramos a paisagem e registamos tudo o que de mais belo encontramos.
Nesta viagem não vamos sós. Um cão desconhecido acompanhar-nos-á em quase todo
o percurso. Simpático! Se paramos, ele para, se andamos ele anda. Encontramos
pessoas conhecidas: pessoas do grupo que já regressam e outros professores
portugueses que, como nós, resolveram passar por Dili neste fim de semana.
Vemos barcos de pesca à espera que o dia passe, pessoas a
descansar debaixo do arvoredo ou a varrer o terreno em volta da sua casa,
microletes apinhadas de gente e motas num constante vaivém.
E o que dizer das frondosas árvores que crescem dentro de
água salgada?
E aquela mais ali à frente que, aparentemente morta, teima,
resiste e mostra alguns dos seus ramos verdejantes lutando contra o destino.
Chegadas à Praia da Areia Branca (suponho que deve o seu
nome à cor da areia em contraste com a das outras praias por onde passámos), é
hora de dar um mergulho, A sensação é estranha. A água é quente e calma. Está a
cerca de 28 graus Celsius. Não há uma única onda. Ando, ando e a profundidade
da água não se altera. Mais umas fotos. Do leve almoço não resta mais nada. Uns
belos chocos fritos acompanhados de umas saborosas batatas fritas e um sumo de
papaia e laranja para mim e uma cerveja para a minha amiga, servem para
aconchegar o estômago.
Entretanto os nossos companheiros de Maliana estão já de
regresso ao hotel. Alertam-nos para o rápido entardecer. Não faz mal. Podemos
sempre apanhar um dos inúmeros táxis amarelos que passam e apitam chamando a
atenção do turista. Começa a chover. Abrigamo-nos debaixo das árvores. Afinal
passa rápido e resolvemos regressar a pé.
Nessa noite, fico no hotel a descansar.
Domingo: o dia amanhece quente. Uns vão até à praia para
mais um mergulho, outros aproveitam para ocupar a manhã de outra forma. Vou até
ao mercado: fruta, hortaliças, peixe… Há bastante movimento. É preciso dar
atenção ao trânsito (aqui circula-se pela esquerda) e afastarmo-nos para não
sermos salpicados de água suja dos charcos que ainda não secaram.
À 1ª paragem, novamente em Maubara, sucedem-se muitas
outras. Ora para tapar melhor a carga (as nuvens escuras por cima das montanhas
anunciam chuva forte para a noite), ora para comprar combustível, fruta ou
peixe fresco que o motorista dependurará no exterior da parte da frente do mini
bus. Chegamos quase às 9 horas da noite. A viagem foi
cansativa. Arrumamos as compras, tomamos banho e comemos qualquer coisa. Amanhã
é dia de trabalho.
Descrição encantadora, adorei!
ResponderEliminarQue delicia...
ResponderEliminarPorque não me convidas ?
Beijinhos
Olá Maria de Jesus.
ResponderEliminarObrigado pelo seu mail resposta.
Na verdade deleito-me com a leitura de cada uma das suas narrativas sobre o que é a vida, a sua vida, aí por terras de Timor.
Já lhe passou pela cabeça fazer uns cadernos de viagem com todos esses seus escritos?
Seria um trabalho bem interesante, já que a escrita é maravilhosa e apaixonante e as fotos que lhe dão cobertura focam bem os pontos de interesse que são relatados com tamnho preciosismo e observação.
Noto que o seu estado de espirito está a descrever uma sinusoidal, isto é, está por vezes com picos superiores e inferiores, o que se compreende dado o pouco tempo em que ai está.
Vai ver que com o tempo, com o afastamente desta urbe em que aqui vivemos, se vai adaptando a certas faltas, mas que são compensadas com outras ofertas que aqui não temos.
Tudo é belo na natureza e, em cada dia há uma descoberta que só nos melhora o conhecimento e nos enriquece o espírito.
Desejo-lhe as maiores venturas e boa saúde.
Creia que tem aqui em mim um leitor ávido e assíduo.
Um beijo.
Fernando Gaçveia
....e eu a dar-lhe com o Jesus e a esquecer-me de Deus.......
ResponderEliminarI beg your pardon....
Beijo,
FGalveia
Tb eu estou gostando das tuas crónicas. Continua colega que eu vou dando uma espreitada. A verdade é que bem lá no fundo cresce um sentimentozinho de inveja. Força! Bj Eunice
ResponderEliminar