Hoje, último dia de janeiro de 2013, amanheceu como todos os
outros.
O sol brilhava tentando romper por entre algumas nuvens que
se espalhavam pelo céu. Às 8h, o calor do sol já queimava e as nuvens, que aos
poucos se formavam na montanha, já faziam adivinhar o que iria acontecer ao
longo da tarde. Hoje era o meu dia de dar aulas de português aos estagiários.
A última parte do nosso percurso é
acompanhada de violenta trovoada. Por cima das nossas cabeças caem relâmpagos e
o som do trovão faz estremecer o que carro que nos transporta. Por mais que se
buzine, ninguém aparece para abrir o portão da escola. Ao fim de algum tempo,
finalmente, lá aparece alguém: descalço (para quê chinelos perante um temporal
destes?) com um guarda-chuva na mão que nada protege. Dirigimo-nos para sala de
aula onde 3 ou 4 pessoas a um canto se protegem do barulho da trovoada. É impossível dar aulas nestas condições. Não há
luz eléctrica, o pátio do recreio está alagado, já não se veem os pneus que as
crianças usam para brincar e a pequena ponte que une dois pavilhões está quase
a ficar coberta de água. Voltamos para trás. Pelo caminho não se vê vivalma.
Curva,
contracurva, solavanco para a direita, solavanco para a esquerda, para cima,
para baixo finalmente chegamos a casa encharcados. Ainda bem que levei os
chinelos pois os sapatos ficariam estragados. Está na hora de tomar um banho,
agora de água quente, e descansar.
Aos poucos, as nuvens começam a afastar-se e o céu vai
clareando. A tempestade afasta-se.
Que aventura "fantástica", Maria de Deus! Um tudo nada parecida com a nossa, quando fomos a Viseu... A chuva não incomodou muito, trovoada também não houve, mas o vento foi "bom bailador", as suas rajadas fizeram agitar as árvores numa bela dança e vimos algumas arrancadas pela raiz.Em Viseu, não podíamos abrir os chapéus para não nos transformarmos em Mary Poppins. Estou a brincar... Mas valeu a pena. Visitámos o Museu do Quartzo, aberto ao público há muito pouco tempo. Muito bem concebido. Gostei muito.
ResponderEliminarUm abraço e beijinhos.
A chuva passou e veio o sol. E no outro dia adivinhava-se tempestade igual mas não. Não foi. Apenas uns chuviscos. Mas faz-nos falta esta chuva para nos abastecermos de água mais clara para cozinhar, lavar roupa e louça e, quantas vezes, lavar a cabeça. Ela faz falta para os arrozais que aqui há em abundância. Ela faz falta porque daqui a uns meses vem a época seca. Ela faz falta.
EliminarObrigada Graciete
Olá Maria de Deus,
ResponderEliminarGostei muito da descrição que fazes do temporal que aí viveste recentemente. Alguém já comentou a tua veia jornalística e eu concordo perfeitamente. Tens de facto muito jeito. Quanto à tempestade, também já passei por experiências idênticas quer em África, quer no Sul da China. É medonho por vezes. Parece que o céu vai cair-nos em cima..... O melhor, o melhor de tudo isso, é o depois. O depois que arrasta consigo a bonança. Sim, a bonança. Essa que vem sempre depois do tempestade. Demore o que demorar. Ela virá. Virá sempre..... Tu também virás. Um dia. O pesadelo vai passar. Mais tarde irás recordar e contar aos teus netos essas experiências vividas na primeira pessoa. À distância, de certeza que vais recordar com alguma emoção...... Aqueles meninos. Os teus alunos. Com aquelas carinhas lindas e inocentes pintadas de bronze por aquele sol escaldante. Aquela pobreza, aquele atraso, aquela inércia daquela gente....Enfim, aquele esquecimento.............
Beijinho e até um dia destes.
Começo realmente a ambientar-me. O choque inicial começa a desvanecer-se e aquilo que me parecia menos agradável aparece agora com outra cor. Começo ver a beleza desta manhã que de tão fresca parece uma manhã de Verão em Portugal. Fui à missa das 7h, por isso, me levantei tão cedo neste domingo. Vi as pessoas com o seu fato domingueiro assistir com devoção a uma missa da qual eu entendi pouco (foi em tétum) mas participei porque os rituais são os mesmos e sabia posicionar-me.
ResponderEliminarIrei recordar, com toda a certeza, tudo o que aqui se passa. O que interessa, neste momento, é dar o meu melhor pelas 24 crianças que olham para mim, por vezes, sem quase nada entenderem e ter de usar gestos ou sinónimos mais simples ou pedindo ainda a tradução para tétum daquilo que quero dizer. irei recordar a Valencia, a Desi, o Matias, que está sempre noutro mundo, etc. Não é fácil fazermo-nos entender mas vamos conseguir. O processo de aprendizagem é demorado. Mas sabem tanto para quem contacta tão pouco com a língua portuguesa!
Pois é garotinha, tropical é assim...
ResponderEliminarE não sabe bem o cheiro da terra molhada ?
E não é lindo o céu dessas tempesatades ?
E o sentirmo-nos tão frágeis sob a imensa força da Natureza ?
É um medo que nos dá um grande prazer.
Mas vale a pena. Se nunca o viveste, saboreia-o pois ele vai fazer parte daquilo que será o teu passado no futuro que irás viver. São as histórias que irás ter para contar. Por isso aproveita, saboreia, escreve-as para que a tua memória não possa esquecer nenhum desses saboroso momentos.
Força miuda !
Beijinhos