O casamento
Há dias realizou-se um casamento para o qual fomos
convidados. Não conhecíamos os noivos mas os pais dela vivem perto da escola e
fizeram questão que estivéssemos presentes.
A cerimónia religiosa do casamento foi às 10h da manhã na
igreja seguida de um banquete. Antes da hora marcada cheguei à igreja onde a
noiva com um vestido branco comprido e um véu até aos pés já esperava o noivo
acompanhada da menina das alianças. Após os cumprimentos e votos de felicidade
instalámo-nos num dos vários bancos livres existentes. Não demorou muito tempo
para que fossemos convidados a ir para um dos bancos da frente onde poderíamos apreciar melhor toda a cerimónia.
Talvez devido ao nervosismo próprio de quem vai contrair
matrimónio, a noiva andava para cá e para lá, ora dentro ora fora da casa
paroquial que se situa no extremo da igreja umas vezes com e outras sem o noivo
(parece que aqui não há a tradição de ser o noivo o primeiro a chegar à igreja
e não há qualquer azar se ele a vir antes da cerimónia). Durante estes momentos
de espera, um coro de rapazes e raparigas ensaiava as canções que iriam
acompanhar toda a celebração. Não começou a horas como todo o casamento que se
preze.
Entretanto, já o noivo estava lá à frente esperando pela
noiva que surgiu, logo depois, de braço
dado com o pai. Sentados em duas cadeiras previamente cobertas por dois tais em
tons de preto e rosa, deu-se início à missa que foi celebrada por um padre
coadjuvado por mais 4 e acompanhada por um conjunto de vozes incríveis que tornaram
mais bela toda a cerimónia.
No final, as pessoas colocaram-se em fila para
cumprimentarem o casal e depois de uma breve paragem pela nossa casa (ainda era
cedo para almoçar) deslocámo-nos até ao local da receção onde iria ser servido
o almoço ao ar livre. Logo que chegámos, assinámos o livro de receção,
entregámos a prenda conjunta e recebemos uma pequena lembrança dos noivos. De
seguida, fomos encaminhados para um local privilegiado numas filas de cadeiras
situadas de cada um dos lados das 2 mesas corridas mas suficientemente
afastadas para dar passagem a quem estava a colocar as travessas de comida nas
mesas e onde já tinham sido colocados os pratos com a respectiva colher e
palito espetado no guardanapo (aqui não é habitual usar-se garfo e faca).
Sempre acompanhados por um grupo musical que
ia debitando o seu vasto repertório, as
cadeiras foram sendo ocupadas pelos convidados que iam chegando aos poucos. Assim que os noivos chegaram, e depois de breves
palavras por parte do senhor padre e de outra pessoa, procedeu-se à abertura de
várias garrafas de espumante (por sinal “Raposeira”) que serviu apenas para
festejar agitando e molhando os presentes. Não serviu para beber até porque estava
à temperatura ambiente que, por sinal, não era baixa.
Enquanto os noivos e respectivos pais e padrinhos se
mantinham sentados em lugares de destaque, os convidados começaram a formar
filas para pegarem no prato e se servirem do arroz e de vários tipos de carne
(frango, vaca, porco, cão), legumes e também, curiosamente, algo muito parecido
com bacalhau com natas. Para beber havia sumos, cerveja e água. Servi-me apenas
daquilo que conhecia para não ter surpresas. Só quando todos estavam servidos,
é que os noivos se dirigiram para as mesas e prepararam o seu prato com o que
restava. Parece-me que é tradicional e por uma questão de respeito, dar-se
primazia aos convidados.
Depois disto, os noivos foram ao palco onde se beijaram em
público e fizeram a sua primeira dança, ao que foram seguidos pelos restantes
convidados.
Entretanto, e depois de várias ameaças de chuva, resolvi
regressar a casa.
Independentemente ou não do casamento ter saído na "Hola" local, nos casamentos (em qualquer cultura) aprende-se sempre imenso acerca dos valores de um povo.
ResponderEliminarUma leitura atenta do teu texto, permite-nos aprender tanto... e se e permites a ousadia de te fazer um desafio que se clahar tu não precisavas que eu te fizesse, vale sempre a pena aproveitarmos estas ocasioes para questionarmos os nossos próprios valores, não é ?
Mais uma vez obrigado por nos permitires viver contigo esta experiência culturalmente tão enriquecedora.
Aproveita ! Isso é irrepetível !
Beij
Afinal no outro lado do mundo não é muito diferente do de cá....
ResponderEliminarGostei da pormenorizada descrição. bjs
Cidália
Tiraste ideias?
ResponderEliminarGostei do pormenor da carrinha RTP!