quinta-feira, 9 de maio de 2013


O casamento

Há dias realizou-se um casamento para o qual fomos convidados. Não conhecíamos os noivos mas os pais dela vivem perto da escola e fizeram questão que estivéssemos presentes.

A cerimónia religiosa do casamento foi às 10h da manhã na igreja seguida de um banquete. Antes da hora marcada cheguei à igreja onde a noiva com um vestido branco comprido e um véu até aos pés já esperava o noivo acompanhada da menina das alianças. Após os cumprimentos e votos de felicidade instalámo-nos num dos vários bancos livres existentes. Não demorou muito tempo para que fossemos convidados a ir para um dos bancos da frente onde poderíamos  apreciar melhor toda a cerimónia.

Talvez devido ao nervosismo próprio de quem vai contrair matrimónio, a noiva andava para cá e para lá, ora dentro ora fora da casa paroquial que se situa no extremo da igreja umas vezes com e outras sem o noivo (parece que aqui não há a tradição de ser o noivo o primeiro a chegar à igreja e não há qualquer azar se ele a vir antes da cerimónia). Durante estes momentos de espera, um coro de rapazes e raparigas ensaiava as canções que iriam acompanhar toda a celebração. Não começou a horas como todo o casamento que se preze. 

Entretanto, já o noivo estava lá à frente esperando pela noiva que surgiu, logo depois,  de braço dado com o pai. Sentados em duas cadeiras previamente cobertas por dois tais em tons de preto e rosa, deu-se início à missa que foi celebrada por um padre coadjuvado por mais 4 e acompanhada por um conjunto de vozes incríveis que tornaram mais bela toda a cerimónia.

No final, as pessoas colocaram-se em fila para cumprimentarem o casal e depois de uma breve paragem pela nossa casa (ainda era cedo para almoçar) deslocámo-nos até ao local da receção onde iria ser servido o almoço ao ar livre. Logo que chegámos, assinámos o livro de receção, entregámos a prenda conjunta e recebemos uma pequena lembrança dos noivos. De seguida, fomos encaminhados para um local privilegiado numas filas de cadeiras situadas de cada um dos lados das 2 mesas corridas mas suficientemente afastadas para dar passagem a quem estava a colocar as travessas de comida nas mesas e onde já tinham sido colocados os pratos com a respectiva colher e palito espetado no guardanapo (aqui não é habitual usar-se garfo e faca).

  Sempre acompanhados por um grupo musical que ia debitando o seu  vasto repertório, as cadeiras foram sendo ocupadas pelos convidados que iam chegando aos poucos. Assim que os noivos chegaram, e depois de breves palavras por parte do senhor padre e de outra pessoa, procedeu-se à abertura de várias garrafas de espumante (por sinal “Raposeira”) que serviu apenas para festejar agitando e molhando os presentes. Não serviu para beber até porque estava à temperatura ambiente que, por sinal, não era baixa.

Enquanto os noivos e respectivos pais e padrinhos se mantinham sentados em lugares de destaque, os convidados começaram a formar filas para pegarem no prato e se servirem do arroz e de vários tipos de carne (frango, vaca, porco, cão), legumes e também, curiosamente, algo muito parecido com bacalhau com natas. Para beber havia sumos, cerveja e água. Servi-me apenas daquilo que conhecia para não ter surpresas. Só quando todos estavam servidos, é que os noivos se dirigiram para as mesas e prepararam o seu prato com o que restava. Parece-me que é tradicional e por uma questão de respeito, dar-se primazia aos convidados.

Depois disto, os noivos foram ao palco onde se beijaram em público e fizeram a sua primeira dança, ao que foram seguidos pelos restantes convidados.

Entretanto, e depois de várias ameaças de chuva, resolvi regressar a casa.

 






 

3 comentários:

  1. Fernando Louro Alves17 de maio de 2013 às 23:10

    Independentemente ou não do casamento ter saído na "Hola" local, nos casamentos (em qualquer cultura) aprende-se sempre imenso acerca dos valores de um povo.
    Uma leitura atenta do teu texto, permite-nos aprender tanto... e se e permites a ousadia de te fazer um desafio que se clahar tu não precisavas que eu te fizesse, vale sempre a pena aproveitarmos estas ocasioes para questionarmos os nossos próprios valores, não é ?
    Mais uma vez obrigado por nos permitires viver contigo esta experiência culturalmente tão enriquecedora.
    Aproveita ! Isso é irrepetível !
    Beij

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  2. Afinal no outro lado do mundo não é muito diferente do de cá....
    Gostei da pormenorizada descrição. bjs
    Cidália

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  3. Tiraste ideias?
    Gostei do pormenor da carrinha RTP!

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