Em Ataúro
Ataúro é uma ilha de origem vulcânica situada a norte de Díli entre as
ilhas Indonésias
de Alor
e Wetar.
Politicamente, é um subdistrito de Díli. Apresenta aproximadamente 25 km de
extensão por 9 km de largura.
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| Um lanche ajantarado em Díli, saboreando produtos portugueses |
A uma distância de 25 km, a viagem pode levar entre 1h 30m e 3h
dependendo do barco escolhido e da bolsa de cada um. Quanto mais rápido, mais
caro mas isso não quer dizer que quanto mais rápido, mais confortável.
Tanto na época colonial
portuguesa como durante a ocupação indonésia, Ataúro era o local para onde se
enviavam os presos quer fossem políticos quer não. O isolamento preservou-a da
destruição provocada pela saída dos indonésios.
Ataúro
Parte 1
Um fim de semana prolongado foi o pretexto para passar um fim de
semana em Ataúro. Como a viagem é longa, não é possível chegar a tempo de
comprar os bilhetes (2$USD para timorenses e 5$USD para os estrangeiros) para o
Nakroma (ferry que faz a travessia). No dia seguinte, após o pequeno almoço, há
que ir até ao porto de embarque a fim de apanhar o barco. Avista-se um mar de
gente que, por acaso, pensou como nós.
Mas…, e bilhete para a passagem? Nada que não se resolva. Depois de
uma troca de palavras “Queremos 3 bilhetes”,
“Não há!”, “Tem a certeza que não
há?” “Não, não há!”, “De certeza?”, “Então, entrem!” (um aperto de mão ao
segurança e somos encaminhadas para a entrada)
Depois de subirmos até à parte superior há que procurar um espaço livre,
estender uma lipa que servirá para repousar durante uma viagem de 3 horas de
mar bastante calmo, para tirar fotos e conversar com colegas portugueses de
outras escolas. Díli vai ficando para trás e Ataúro aproxima-se. Não se avistam
golfinhos como nos dizem que pode acontecer.
Chegados à ilha, e após o desembarque, somos transportados num tuk-tuk
(mota com um atrelado e que transporta até 5 pessoas, bem juntinhas) até ao
local onde iremos pernoitar! Água de côco para começar e almoço a seguir. De
tarde, uma ida à praia a 50 m dali. Praia quase deserta, de água morna, límpida
e quase sem ondas. De vez em quando, surgem grupos de mulheres com os típicos
cestos às costas.
Apetece ficar dentro de água. Apetece só sair quando a pele começa a
ficar enrugada. Apetece relaxar no mar de Timor. Só não apetece ver alguém que,
no meio do lixo de copos, garrafas, cocos e detritos de árvores, ainda consegue
encontrar vários pares de chinelos de borracha abandonados mas que ainda irão ter
muito uso.
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| A praia |
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| O lixo que "insiste" em ficar na praia |
E…vitória! Pé ante pé, um pouco a medo, vou deixando que a água me envolva.
Atrevo-me a boiar de costas, o que não é difícil devido à calmaria daquelas
águas e ao seu grau de salinidade. Atrevo-me a molhar a cabeça e aos poucos a
sensação de medo que a água me provoca começa a desaparecer e ouso mergulhar. Magnífico!
A confiança aumenta e começo a relaxar! Sinto que vamos dar-nos bem. Talvez um
dia sejamos amigas!
A noite aproxima-se e o jantar também. Comemos cedo. Não há nada para
fazer a não ser descansar e conversar com outras colegas portuguesas.
Aprendemos bastante sobre a história política recente de Timor.
É preciso ir para a cama, preparar a rede mosquiteira e dormir. É
importante ter a lanterna à mão porque o gerador é desligado à meia-noite e
pode ser necessário. Em Ataúro ainda não há luz eléctrica. Ou se utilizam geradores,
ou energia solar. Durante a noite, “juro” que não é um sonho, “juro” que senti
uma “coisa” fria a passar por cima do meu pé. Aos gritos, acordo as minhas
colegas que, prontamente se levantam para me acudirem depois de se
desenvencilharem da rede mosquiteira. Parece não ser nada. Terá sido uma teka
(osga)? Dizem-me que isso é pouco provável. Terá sido sugestão minha no
seguimento da conversa tida umas horas atrás?! Ficará para sempre a questão.
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| O local onde dormimos |
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| A cozinha |
O dia seguinte amanhece chuvoso. Não apetece sair. Ao pequeno almoço,
pedimos ovos dos quais desistimos porque tardam em chegar. Haveremos de os
saborear à hora do jantar desse dia. Almoçámos no Barry´s Place e apreciamos o
belo empreendimento turístico. Fazemos reserva para dali a 15 dias. Às 5 horas
estamos de regresso, após uns belos mergulhos naquela água quentinha. Passamos
pelas bancas vazias do mercado e aproveitamos para meter conversa com umas
jovens que estudam para um teste de inglês. Jovens lindas, sorridentes, mas não
sabem uma palavra de português. Parece que ali também faz falta uma Escola de
Referência onde se possa aprender a nossa língua. Recomeça a chover, é sinal de
que a trovoada se aproxima.
Jantar e deitar cedo, acordar antes do amanhecer e apanhar o barco da
Jenny às 6h 30m da manhã. Viagem agradável e calma. Ao desembarcarmos, damos de
caras com um grupo de 3 macacos que vivem nas árvores junto ao cais e que se
“divertem” a roubar a comida das gentes que por ali se sentam a descansar. Nas
ruas, há algumas comemorações relacionadas com a festa da “Restauração da
Independência”. A padaria portuguesa encontra-se fechada. Uma ida até ao centro
comercial servirá para tomarmos o pequeno almoço e fazer as compras. Resta-nos
conversar e esperar pelo regresso a Maliana. Ataúro é uma ilha linda com bom
potencial para o turista que quer descansar uns dias. Só é pena que não haja
uma maior preocupação em manter as praias sem lixo. Resta-me desejar que não
demore muito.






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