quinta-feira, 20 de junho de 2013

O mercado ao sábado em Ataúro

Peixe seco à venda no mercado

A biskota por fora

A biskota por dentro

A casa de banho seca no Barry´s place


O nascer do sol

Ataúro
Parte 2

Volvidos 15 dias, eis que nos preparamos para um novo fim de semana em Ataúro.
Devido a certas circunstâncias a ida para Díli foi feita num jipe alugado. A meio do percurso, ao aproximarmo-nos de uma zona em obras deparámo-nos com um corte de estrada. Nada mais natural! Já não chegavam os buracos, as depressões na estrada, as crateras formadas pelas obras e pela chuva que insistentemente caía, enormes pedregulhos cortavam-na impedindo a circulação em ambos os sentidos! Foi-nos dito que o manobrador da máquina fora a casa comer e dormir a sesta. Não nos restava outra coisa se não esperar que acordasse. Como disse um amigo: hilariante!
As obras na estrada
A fila ia-se formando de um e do outro lado da via. Entretanto, pequenas pedras, transportadas ao ombro, mudavam do lado direito para o lado esquerdo da estrada. Cerca de 45m depois, depois da soneca, os pedregulhos deixaram de ser um empecilho no nosso caminho.
Com imensa paciência, o motorista ia aturando os nossos desabafos. E contou-nos alguns episódios da sua vida: fora um lutador da resistência, assistiu a massacres, inclusivamente de familiares e até nos mostrou um vídeo dos acontecimentos de 2006. Ele próprio tinha marcas das lutas. Mas mantinha um semblante risonho. Perguntámos: Como é possível ter passado por isso tudo e continuar com um ar aparentemente feliz? Limitou-se a sorrir. Gosta de Portugal, é descendente de portugueses e irá para lá estudar. Oxalá consiga atingir os seus objectivos. Pediu que lhe trouxesse uma camisola do…Sporting. Farei o possível. Tem uma de cada um dos mais importantes clubes portugueses.
Chegadas a Díli, compramos pão e bolas de berlim da Padaria Brasão para fazermos uma pequena refeição com alguns dos produtos portugueses a que já nos habituámos.
No dia seguinte, acordámos cedo porque o barco rápido partia às 7h 30m. A agitação do mar e a velocidade do barco fez-me lembrar a minha primeira e última viagem às Berlengas. A maior parte do percurso foi feita sob alguma tensão, sempre com os olhos atentos à água e à espuma provocada pelo deslizamento do barco. Ao aperceber-se do meu receio, o dono (Jens) mandou reduzir um pouco a velocidade. A última terça parte da viagem foi feita de uma forma mais descontraída não só devido à aproximação da ilha mas também devido à companhia das minhas colegas. Disse ao Jens que não viajaria mais com ele! Que preferia a lentidão do Nakroma! E ele ria. Haveria de o encontrar mais vezes no eco-lodge e iria repetir o mesmo.
A vista da varanda da cabine é fantástica.
O quarto devidamente equipado com redes mosquiteiras
Atracamos em Ataúro e somos convidadas a tomar o 2º pequeno almoço do dia enquanto acabam de preparar a “cabine”, como lhe chamam, onde ficaremos alojadas. Trata-se de um eco-resort onde existe a preocupação de manter o equilíbrio entre a natureza e o homem. As casas encontram-se a distâncias ideais de modo a manter a privacidade dos hóspedes. Os caminhos pedonais ladeados por belos canteiros floridos são constantemente visitados por borboletas e outros insectos que procuram neles a sua fonte de alimento. E os arbustos aparentemente  selvagens são o refúgio de algumas aves que fazem o encanto de quem está a tomar as suas refeições, a ler nos vários livros colocados à disposição do cliente ou simplesmente a descansar debaixo da cobertura principal.
Uma "nesga" de paisagem
Devidamente instaladas, apreciamos a beleza da paisagem envolvente mas, o mar, esse continuava agitado, a revolver a areia e a trazer lixo para a praia. 

Com o aumento da intensidade do vento, não era conveniente tomar banho mas pequenos locais de descanso mesmo de frente para a praia serão o local ideal para ler e descansar, sobretudo. Levantar cedo para ver o nascer do sol na praia ou tomar banho depois do pôr do sol foram momentos agradáveis. Houve tempo para usar um par de óculos feito em madeira e com eles mergulhar e ver estrelas do mar. Aos poucos, o meu medo da água vai-se dissipando. Gostei, senti-me à vontade e, quando houver oportunidade, irei repetir a sensação.



                                                                                   Nas noites que lá ficámos havíamos de ser 
O grupo de música tradicional de Ataúro
presenteados por sessões de Karaoke e música tradicional de Ataúro no decorrer de um encontro sobre a mulher trabalhadora.












O jardim














 

A tenda de campismo
No dia previsto para o regresso aconteceu mais uma surpresa: simplesmente, o Nakroma não fez a travessia e nós, que já tínhamos feito o check out, fomos obrigadas a ficar mais um dia mas desta vez numa tenda de campismo para duas pessoas mas onde tiveram de caber 3.
É que o dinheiro também estava a escassear. Houve necessidade de arranjar alternativa ao transporte do ferry recorrendo a um dos barcos rápidos. O regresso a casa far-se-ia na biskota alugada por esse grupo de mulheres que, por coincidência do destino, se dirigiam precisamente para Maliana.
 Andar de biskota é uma experiência única. Viaja-se num transporte que leva cerca de 25 pessoas com as portas e janelas abertas para que o ar circule (não há maus cheiros, até porque há desodorizantes de ambiente dependurados aos pares), com o estreito corredor cheio de bens transportados da capital.
Pára-se inúmeras vezes. Para deixar entrar ou sair passageiros, para colocar mais um ou dois sacos de arroz, para comprar o sal e o peixe que fazem falta e que se coloca no tejadilho da mesma, para almoçar num local de restaurantes improvisados, etc.
O pior foi o que aconteceu a seguir. Nunca fico mal disposta em viagem, não era suposto vomitar mas, o inevitável aconteceu. De Batugadé até casa foi um contínuo de má disposição e vómitos. Já não havia mais nada para deitar fora e viagem nunca mais acabava.
Chego a casa, estafada e coberta do pó que entrou durante todo o percurso.
Quero agradecer a  amabilidade do grupo de mulheres de Maliana, na pessoa da Argentina, que prontamente se disponibilizou a dar-nos boleia numa biskota com todos os lugares esgotados. Ao longo da viagem, não fomos “malae” (estrangeiras)  mas sim “manas” (senhoras). Obrigada


domingo, 9 de junho de 2013


Em Ataúro

Ataúro é uma ilha de origem vulcânica situada a norte de Díli entre as ilhas Indonésias de Alor e Wetar. Politicamente, é um subdistrito de Díli. Apresenta aproximadamente 25 km de extensão por 9 km de largura.


Um lanche ajantarado em Díli, saboreando produtos portugueses
A uma distância de 25 km, a viagem pode levar entre 1h 30m e 3h dependendo do barco escolhido e da bolsa de cada um. Quanto mais rápido, mais caro mas isso não quer dizer que quanto mais rápido, mais confortável.

 Tanto na época colonial portuguesa como durante a ocupação indonésia, Ataúro era o local para onde se enviavam os presos quer fossem políticos quer não. O isolamento preservou-a da destruição provocada pela saída dos indonésios.








Ataúro

 Parte 1

Um fim de semana prolongado foi o pretexto para passar um fim de semana em Ataúro. Como a viagem é longa, não é possível chegar a tempo de comprar os bilhetes (2$USD para timorenses e 5$USD para os estrangeiros) para o Nakroma (ferry que faz a travessia). No dia seguinte, após o pequeno almoço, há que ir até ao porto de embarque a fim de apanhar o barco. Avista-se um mar de gente que, por acaso, pensou como nós.

Mas…, e bilhete para a passagem? Nada que não se resolva. Depois de uma troca de palavras “Queremos 3 bilhetes”,  “Não há!”,  “Tem a certeza que não há?” “Não, não há!”, “De certeza?”, “Então, entrem!” (um aperto de mão ao segurança e somos encaminhadas para a entrada)

Depois de subirmos até à parte superior há que procurar um espaço livre, estender uma lipa que servirá para repousar durante uma viagem de 3 horas de mar bastante calmo, para tirar fotos e conversar com colegas portugueses de outras escolas. Díli vai ficando para trás e Ataúro aproxima-se. Não se avistam golfinhos como nos dizem que pode acontecer.

Chegados à ilha, e após o desembarque, somos transportados num tuk-tuk (mota com um atrelado e que transporta até 5 pessoas, bem juntinhas) até ao local onde iremos pernoitar! Água de côco para começar e almoço a seguir. De tarde, uma ida à praia a 50 m dali. Praia quase deserta, de água morna, límpida e quase sem ondas. De vez em quando, surgem grupos de mulheres com os típicos cestos às costas.

Apetece ficar dentro de água. Apetece só sair quando a pele começa a ficar enrugada. Apetece relaxar no mar de Timor. Só não apetece ver alguém que, no meio do lixo de copos, garrafas, cocos e detritos de árvores, ainda consegue encontrar vários pares de chinelos de borracha abandonados mas que ainda irão ter muito uso.
 
 

A praia
 
 
 
O lixo que "insiste" em ficar na praia
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
E…vitória! Pé ante pé, um pouco a medo, vou deixando que a água me envolva. Atrevo-me a boiar de costas, o que não é difícil devido à calmaria daquelas águas e ao seu grau de salinidade. Atrevo-me a molhar a cabeça e aos poucos a sensação de medo que a água me provoca começa a desaparecer e ouso mergulhar. Magnífico! A confiança aumenta e começo a relaxar! Sinto que vamos dar-nos bem. Talvez um dia sejamos amigas!

A noite aproxima-se e o jantar também. Comemos cedo. Não há nada para fazer a não ser descansar e conversar com outras colegas portuguesas. Aprendemos bastante sobre a história política recente de Timor.

É preciso ir para a cama, preparar a rede mosquiteira e dormir. É importante ter a lanterna à mão porque o gerador é desligado à meia-noite e pode ser necessário. Em Ataúro ainda não há luz eléctrica. Ou se utilizam geradores, ou energia solar. Durante a noite, “juro” que não é um sonho, “juro” que senti uma “coisa” fria a passar por cima do meu pé. Aos gritos, acordo as minhas colegas que, prontamente se levantam para me acudirem depois de se desenvencilharem da rede mosquiteira. Parece não ser nada. Terá sido uma teka (osga)? Dizem-me que isso é pouco provável. Terá sido sugestão minha no seguimento da conversa tida umas horas atrás?! Ficará para sempre a questão.
 
O local onde dormimos
A cozinha


 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
O dia seguinte amanhece chuvoso. Não apetece sair. Ao pequeno almoço, pedimos ovos dos quais desistimos porque tardam em chegar. Haveremos de os saborear à hora do jantar desse dia. Almoçámos no Barry´s Place e apreciamos o belo empreendimento turístico. Fazemos reserva para dali a 15 dias. Às 5 horas estamos de regresso, após uns belos mergulhos naquela água quentinha. Passamos pelas bancas vazias do mercado e aproveitamos para meter conversa com umas jovens que estudam para um teste de inglês. Jovens lindas, sorridentes, mas não sabem uma palavra de português. Parece que ali também faz falta uma Escola de Referência onde se possa aprender a nossa língua. Recomeça a chover, é sinal de que a trovoada se aproxima.

Jantar e deitar cedo, acordar antes do amanhecer e apanhar o barco da Jenny às 6h 30m da manhã. Viagem agradável e calma. Ao desembarcarmos, damos de caras com um grupo de 3 macacos que vivem nas árvores junto ao cais e que se “divertem” a roubar a comida das gentes que por ali se sentam a descansar. Nas ruas, há algumas comemorações relacionadas com a festa da “Restauração da Independência”. A padaria portuguesa encontra-se fechada. Uma ida até ao centro comercial servirá para tomarmos o pequeno almoço e fazer as compras. Resta-nos conversar e esperar pelo regresso a Maliana. Ataúro é uma ilha linda com bom potencial para o turista que quer descansar uns dias. Só é pena que não haja uma maior preocupação em manter as praias sem lixo. Resta-me desejar que não demore muito.
 
 

segunda-feira, 27 de maio de 2013


Os arrozais

Maliana é a terceira cidade de Timor-Leste, capital do distrito de Bobonaro, (um dos 13 distritos administrativos) e com uma população de 25 234 habitantes segundo o Censos de 2010 (em 6 anos teve um crescimento superior a 3000 habitantes).

 Fica localizada na parte ocidental do país, junto à fronteira com a Indonésia a cerca de 150 Km da capital, Díli.

 Rodeada de montanhas, os picos mais altos estão permanentemente cobertos por espessas nuvens que anunciam a chuva que alimenta as nascentes das várias ribeiras das quais depende a actividade agrícola da população (arrozais e hortas). É na água dos canais que serpenteiam a cidade que as pessoas lavam a roupa, se refrescam e onde inúmeras crianças tomam banho ou aprendem a nadar. É também esta água que serve para abastecer os pequenos lagos de patos e nenúfares.

 A elevada pluviosidade dá ao distrito de Bobonaro o segundo lugar na produção de arroz e o quarto na produção de vegetais. Com tanta água estagnada, não podemos esquecer o problema dos mosquitos e das doenças a eles associados (malária e dengue, principalmente).

Quando aqui cheguei, a plantação do arroz estava na fase inicial. No início de fevereiro, procede-se à sementeira do arroz em tabuleiros, onde permanece durante 25 dias, aproximadamente, até ter uma altura capaz de ser transplantado. No final do mês, os pés de arroz são plantados manualmente na terra alagada, trabalho executado essencialmente por mulheres e crianças de 11 ou 12 anos por serem mais rápidas e ágeis. Este trabalho é pago a 5 dólares por dia para os adultos e 3 dólares para as crianças que fazem esta tarefa após a escola. Durante cerca de 90 dias, o cereal cresce tendo apenas água e alguns pesticidas para combater pragas. Aos poucos, o verde uniforme do arroz em crescimento dá lugar a outros tons de verde e amarelo conforme o estádio de crescimento e maturação em que se encontra. Este ano, a colheita do arroz encontra-se ameaçada pelo excesso de chuva. Desde que esteja seco, procede-se à ceifa manual do cereal  (25 pessoas ceifam  cerca de 1ha de terreno numa jornada diária que começa às 6 h da manhã e pode terminar às 18h). Trata-se de um trabalho bastante moroso. É depois debulhado com o auxílio de pequenas máquinas. Em média, 6 pessoas e 1 máquina levam 1 dia para debulhar o equivalente a 1 ha de cereal. Depois disso, há que secar o arroz e retirar-lhe a casca através de um processo mecânico.

Um hectare produz entre 50 a 60 sacos de 100kg de arroz. Nem todos têm possibilidade de terem máquinas próprias devido ao elevado preço (900 dólares), pelo que é frequente alugar-se uma ao preço de 4 sacos de arroz de 100 kg por dia.

Por vezes, o governo compra-o para vender noutras regiões. Mas, quando isso não acontece, como em 2012, fica para consumo próprio o que desagrada aos agricultores que vêem na produção do arroz um meio de sobrevivência. Este ano, o governo compra-o ao preço de 50 dólares o saco de 100kg. “ Povo cuda, governo sosa”, ou seja, “O povo cultiva e o governo compra”. Eu acrescentaria “ Só às vezes”.

Em locais onde a água do canal abunda e não está sujeita à inconstância das chuvas, é possível fazer uma segunda época de cultivo do arroz que se inicia em maio e termina em setembro.



 

 

 

sexta-feira, 24 de maio de 2013


Timor-Leste

Timor Leste fica localizado na parte oriental da ilha de Timor com um pequeno enclave na parte ocidental – o distrito de Oecussi. O ponto mais alto do país é o Monte Ramelau com 2 960 m de altura.

Segundo o Census de 2010, Timor-Leste tinha 1 066 409 pessoas correspondendo a 51% de indivíduos do sexo masculino e 49% de indivíduos do sexo feminino com uma densidade populacional de 71 hab./km2.  A taxa anual de crescimento populacional tem-se situado entre 2005 e 2009 nos 3 pontos percentuais com um ligeiro decréscimo em 2010 que registou o valor de 2,7%. Em 6 anos, a população teve um crescimento de cerca de 8,7%.

Distribuição da população por faixa etária:
 
Faixa etária
0-4
5-9
10-14
15-19
20-24
25-29
30-34
35-39
40-44
45-49
50-54
55-59
60-64
65-69
70-74
+75
% de pessoas
14,4%
14,4%
12,7%
10,9%
8,9%
7,2%
4,9%
5,4%
4,5%
3,6%
2,8%
2%
3,5%
2,1%
1,2%
1,4%


Faixa etária
0-14 anos
15-64 anos
+ 65 anos
% de pessoas
41,4%
53,9%
4,7%

 Como se pode ver, trata-se de um país muito jovem em que a média de idade ronda os 18,8 anos. Cada mãe tem cerca de 5,9 filhos nos meios rurais e 4,9 filhos nos meios urbanos. A taxa de mortalidade infantil (nº de óbitos de crianças com menos de 1 ano de idade) tem vindo a baixar. Mesmo assim, ainda morrem cerca de 45 crianças  por cada 1000 nascimentos. A taxa de mortalidade de menores abaixo dos 5 anos de idade situa-se nos 64 por 1000 habitantes. A esperança média de vida era, em 2009, de 60,6 anos de idade, valor que tem vindo a subir ligeiramente desde 2005. A taxa bruta de natalidade (número de nascimentos por cada 1000 habitantes) tem descido ligeiramente desde 2005, situando-se em 40,3 em 2009. A taxa bruta de mortalidade (número de mortos por cada 1000 habitantes) tem também diminuído e em 2009 situava-se em 11 pontos.

Em termos de educação e de acordo com a Lei de Bases da Educação de 2008, ficou assim estipulada a duração de cada um dos ciclos de estudos:

1º ciclo – 4 anos

2º ciclo – 2 anos

3º ciclo – 3 anos

Ensino secundário – 3 anos

A taxa líquida de matrícula no 1º ciclo (relação existente entre o número de crianças em idade normal de frequência e o número de crianças em idade normal de frequentar a escola) era de 70,6% ao contrário do ano lectivo anterior que era de 83% o que pressupõe um aumento da taxa de abandono escolar, o que na verdade se veio a verificar. Em 2006/2007, o abandono escolar situava-se em 4% e no ano seguinte, esse valor atingiu os 10% sendo mais elevado em relação aos rapazes que em relação às raparigas.

Em Timor, 7,5% dos alunos frequentam o ensino pré-escolar e 48,8%  o 1º ciclo. Os restantes distribuem-se pelos outros ciclos, ensino secundário, politécnico e universitário.

Segundo os dados do Censos de 2010, os problemas respiratórios estão no topo das doenças de declaração obrigatória, seguidas da malária e das diarreias aquosas agudas e pneumonias. O número de médicos e enfermeiros tem vindo a aumentar de ano para ano. Em 2010 havia 2,7 médicos e 8,1 enfermeiros por cada mil habitantes. Existem protocolos com o governo de Cuba para a prestação de cuidados médicos nos hospitais de Referência.

O número de pessoas inválidas e idosos a receber subsídios do estado teve um aumento de quase 44% de 2009 para 2010. No mesmo período, verificou-se um aumento de 125% no número de indivíduos a receber pensão por serem antigos combatentes ou serem beneficiários dos mártires da nação (4038 em 2009 e 9091 em 2010).

O número de pessoas à procura de emprego tem sofrido ao longo dos anos um decréscimo. Isto não significa que haja pleno emprego mas apenas que o número de registos nos centros de emprego tem vindo a baixar.

Nas prisões timorenses, havia em 2010 apenas um total de 122 reclusos.

Tem duas estações do ano: a estação da seca e a estação das chuvas. A temperatura média mensal situa-se nos 29,5 graus Celsius (mais ou menos estável) e a precipitação ronda em média os 242,2 mm, valor que tem vindo a baixar desde 2005. Este ano parece terá sido um ano anormal de chuvas que se prolongaram por mais tempo que habitualmente. A estação da seca, parece ter durado umas 3 semanas, uma vez que recomeçou a chover em força há dias.

A maior parte da população dedica-se à agricultura sendo que os principais produtos são por ordem decrescente de importância, o milho, o arroz, a mandioca e os vegetais. A população de Maliana dedica-se principalmente à produção de arroz.

No que diz respeito à pecuária, o maior número de espécies animais é da galinha seguida do porco, da vaca, da cabra, do búfalo, do cavalo e da ovelha.

A produção e o consumo de energia eléctrica tem vindo a aumentar consideravelmente mas a população ainda recorre muito à queima de madeira para cozinhar.

A subscrição da internet teve, de 2008 para 2009, um crescimento de 118%.

Em 2010, havia em todo o país 18 hotéis com 869 quartos mas o número de hóspedes tem aumentado.

As importações superam em muito as exportações. Exportam principalmente café para os EUA e os seus principais fornecedores de bens e matérias-primas são a Indonésia e a Austrália.

Cerca de 97% da população é católica sendo que os restantes 3% pertencem aos protestantes/evangélicos, muçulmanos, budistas, hindus, animistas, etc.

Do total de habitantes, quase 30% vivem em zonas urbanas e os restantes 70% em zonas rurais. Cerca de 99% da população residente tem nacionalidade timorense e os restantes são indonésios, chineses, australianos e outras.

 

Nota: A informação aqui contida não deve servir de base a qualquer trabalho. Esta crónica serve apenas para fornecer dados e não para fazer qualquer análise económica, demográfica ou qualquer outra que seja.

 Fontes:

-Dados do Censos 2010

- “Timor-Leste em números”, 2010, Direcção Nacional de Estatística

 

 

quinta-feira, 9 de maio de 2013


O casamento

Há dias realizou-se um casamento para o qual fomos convidados. Não conhecíamos os noivos mas os pais dela vivem perto da escola e fizeram questão que estivéssemos presentes.

A cerimónia religiosa do casamento foi às 10h da manhã na igreja seguida de um banquete. Antes da hora marcada cheguei à igreja onde a noiva com um vestido branco comprido e um véu até aos pés já esperava o noivo acompanhada da menina das alianças. Após os cumprimentos e votos de felicidade instalámo-nos num dos vários bancos livres existentes. Não demorou muito tempo para que fossemos convidados a ir para um dos bancos da frente onde poderíamos  apreciar melhor toda a cerimónia.

Talvez devido ao nervosismo próprio de quem vai contrair matrimónio, a noiva andava para cá e para lá, ora dentro ora fora da casa paroquial que se situa no extremo da igreja umas vezes com e outras sem o noivo (parece que aqui não há a tradição de ser o noivo o primeiro a chegar à igreja e não há qualquer azar se ele a vir antes da cerimónia). Durante estes momentos de espera, um coro de rapazes e raparigas ensaiava as canções que iriam acompanhar toda a celebração. Não começou a horas como todo o casamento que se preze. 

Entretanto, já o noivo estava lá à frente esperando pela noiva que surgiu, logo depois,  de braço dado com o pai. Sentados em duas cadeiras previamente cobertas por dois tais em tons de preto e rosa, deu-se início à missa que foi celebrada por um padre coadjuvado por mais 4 e acompanhada por um conjunto de vozes incríveis que tornaram mais bela toda a cerimónia.

No final, as pessoas colocaram-se em fila para cumprimentarem o casal e depois de uma breve paragem pela nossa casa (ainda era cedo para almoçar) deslocámo-nos até ao local da receção onde iria ser servido o almoço ao ar livre. Logo que chegámos, assinámos o livro de receção, entregámos a prenda conjunta e recebemos uma pequena lembrança dos noivos. De seguida, fomos encaminhados para um local privilegiado numas filas de cadeiras situadas de cada um dos lados das 2 mesas corridas mas suficientemente afastadas para dar passagem a quem estava a colocar as travessas de comida nas mesas e onde já tinham sido colocados os pratos com a respectiva colher e palito espetado no guardanapo (aqui não é habitual usar-se garfo e faca).

  Sempre acompanhados por um grupo musical que ia debitando o seu  vasto repertório, as cadeiras foram sendo ocupadas pelos convidados que iam chegando aos poucos. Assim que os noivos chegaram, e depois de breves palavras por parte do senhor padre e de outra pessoa, procedeu-se à abertura de várias garrafas de espumante (por sinal “Raposeira”) que serviu apenas para festejar agitando e molhando os presentes. Não serviu para beber até porque estava à temperatura ambiente que, por sinal, não era baixa.

Enquanto os noivos e respectivos pais e padrinhos se mantinham sentados em lugares de destaque, os convidados começaram a formar filas para pegarem no prato e se servirem do arroz e de vários tipos de carne (frango, vaca, porco, cão), legumes e também, curiosamente, algo muito parecido com bacalhau com natas. Para beber havia sumos, cerveja e água. Servi-me apenas daquilo que conhecia para não ter surpresas. Só quando todos estavam servidos, é que os noivos se dirigiram para as mesas e prepararam o seu prato com o que restava. Parece-me que é tradicional e por uma questão de respeito, dar-se primazia aos convidados.

Depois disto, os noivos foram ao palco onde se beijaram em público e fizeram a sua primeira dança, ao que foram seguidos pelos restantes convidados.

Entretanto, e depois de várias ameaças de chuva, resolvi regressar a casa.

 






 

Onde fica Maliana?

Maliana é a terceira cidade de Timor-Leste, capital do distrito de Bobonaro, (um dos 13 distritos administrativos) e com uma população de 25 234 habitantes segundo o Censos de 2010.
Fica situada bem próximo do território indonésio a 150 km de distância mas a várias horas da capital e, para quem estiver interessado, as coordenadas do local por mim mais frequentado, são, salvo erro, estas:

Mercado- 8 graus, 59 minutos 22,91 segundos  S 
                  125 graus, 13 minutos e 13,74 segundos  E
                 com uma elevação de cerca de 250 metros.
 Em breve, farei uma “crónica” sobre Timor com base no último censos de 2010. 
 Vamos ver se consigo fazer alguma coisa de jeito!