segunda-feira, 28 de janeiro de 2013


Hoje é domingo em Timor

Aqui o sol nasce cedo.

Como a janela não tem persianas, acordo mais cedo do que quereria.

Debaixo de uma grande cobertura, é celebrada missa às 7h da manhã. Está em construção lenta uma igreja aqui bem perto da nossa casa e do paço episcopal.  Do meu quarto ouço as vozes bem afinadas dos timorenses que assistem à missa. Hei-de ir também... mas é tão cedo!

Por volta da 7h da manhã, recebi uma mensagem no tlm da tmn. Estava na hora de ligar o skype para falar para Portugal. Este é um meio de comunicação excelente para ouvir e ver as pessoas que nos são queridas. Nem sempre as chamadas correm bem. Por vezes, a imagem não é muito nítida e há cortes na transmissão. Tenho, então, necessidade de desligar a transmissão de vídeo e manter apenas a ligação áudio. Assim,  a conversação faz-se em tempo real e sem cortes.

Foi assim hoje de manhã. Falei com a minha filha e com uma amiga com a qual ainda não tinha falado, desde que cheguei.

Fiquei a saber que o temporal que assolou Portugal deixou marcas profundas de destruição por todo o lado e que algumas localidades só há pouco voltaram a ter energia eléctrica. Nos últimos anos temos assistido a fenómenos atmosféricos pouco comuns no nosso país.  Já há muito tempo que os ambientalistas vinham alertando para a forma como nós seres humanos, tratávamos a nossa “casa” – a Terra e das consequências que daí podiam advir. Quantas vezes foram alvo de críticas vindas, por vezes, de pessoas que deveriam ter outra postura na defesa daquilo que é de todos nós. Aqui, em Timor, não há qualquer preocupação com o problema do lixo. Não há qualquer recolha e cada um queima o que produz.

Depois do banho, do pequeno almoço e de alguma troca de palavras, é necessário começar a preparar o almoço. Hoje era a nossa  vez de cozinhar. Já tinha sido decidido fazer estufado de frango com amendoins. O amendoim cru é vendido no mercado de Maliana a 50 cêntimos do dólar a medida de uma lata que já foi de tinta. Comprámos 4 medidas e, na sexta feira, houve uma maratona de descasque do amendoim. Como estão húmidos, é um trabalho um pouco difícil e moroso.  Ontem colocámo-los de molho e hoje foi necessário cozê-los para ficar “al dente”.  Foi só fazer o estufado de 3 pequenos frangos e acrescentar-lhes os amendoins para ficar um prato delicioso. Uma entrada de sardinhas em conserva em pedacinhos de pão acabadinho de sair no forno, uma fatia de bolo de banana, cerveja “Diablo” para quem quis e um café e, voilá… aí está o nosso almoço de domingo.

Já começa a não se notar quem faz o quê, ou seja, combinámos cozinhar em grupos de 2 mas hoje reparei que todos colaboram em tudo, desde a confeção do prato, da arrumação da cozinha até da ida urgente lá abaixo à loja do indonésio comprar a bebida que faltava.

Ontem, no mercado, uma australiana disse que era nossa vizinha e que hoje viria fazer-nos uma visita acompanhada de um bolinho, uma vez que ontem foi o dia do seu país. Afinal não apareceu.

O Pai Natal trouxe-nos as encomendas enviadas de Portugal antes da nossa partida.

 

3 comentários:

  1. Quando voltares, quero provar os petiscos que comeste por aí!

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  2. Então e não seria a altura ótima para se começar a falar em resíduos por aí ?
    Evidentemente que não estou a pensar em criares uma empresa de recolha e reciclagem, mas... será que todos fazem compostagem ?
    Podias ensinar alguns a fazer composto...
    Assim sempre se poderia "queimar" menos e aumentar a fertilidade dos solos. Com essa temperatura e essa humidade, a decomposição deve ser quase instantania e um pouco de fertilidade adicional poderia ser bem vinda sobretudo para os hortícolas... ou estou enganado ?
    Beijinhos

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  3. Ouvi dizer que comer amendoins cozido é muito bom para a saúde e que se devem comer com a pele mas não com a casca...eheheh.
    Tb tenho skype posso tentar falar-te se sober o teu nome de código.(e as horas...) bj

    Cidália

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