domingo, 27 de janeiro de 2013


O meu dia em Maliana

O meu dia de trabalho começa com o toque do despertar do telemóvel por volta das 6h 30m.

Depois de um banho de chuveiro, são horas de tomar o pequeno-almoço: torradas, leite ou cereais que comprei em Dili e fruta. Não há leite. Então, ou bebo do que trouxe da capital ou reconstituo  o leite em pó ou o leite condensado que consegui encontrar. Tenho saudades de iogurte.

Cerca das 7h 40m, o nosso transporte chega para nos levar até à escola.

De todo o lado, surgem inúmeras crianças e jovens que a pé ou em motas-táxi se dirigem às respectivas escolas enchendo os caminhos de sons e de cor (cada escola tem um uniforme de cor diferente). Tentando fugir dos muitos buracos das estradas e com mais ou menos solavancos, em 20min chegamos à Escola de Referência de Maliana onde nos esperam para mais um dia de trabalho. Na escola, há 4 turmas do pré-escolar e 8 da 1ª à 4ª classes. Partilhando o mesmo espaço, há uma outra escola onde futuros professores timorenses se preparam para uma vida dedicada ao ensino. As aulas começam às 8h e terminam às 13h. Pelo meio, há actividades de português (com maior carga horária), tétum, matemática, estudo do meio, moral e expressões. Sou acompanhada por um professor estagiário que dá as aulas de tétum e apoia a turma em tudo o que for necessário.
Todos os dias de manhã é obrigatório fazer uma oração, ora em português ora na língua nativa. Uma vez por semana, o hino de Timor é entoado no espaço do recreio por todas as crianças e adultos. Uma vez por mês, é ao mesmo tempo içada a bandeira do país. Não é fácil fazermo-nos entender pela população e pelas crianças em especial. O português não é a sua língua materna e apenas o falam na escola. Por vezes, é necessário recorrer ao apoio do estagiário que traduz aquilo que queremos explicar.

Depois das 13h vamos todos almoçar a casa da D. Filomena. De tarde, alternadamente, pode haver reunião de docentes, de E.E.  e  com o respectivo estagiário. Em duas tardes por semana e, rotativamente, em grupos de 2, damos aulas de português aos estagiários que trabalham na escola. As aulas de tétum para professores terão início na próxima semana.

O resto do tempo é ocupado a preparar as aulas, a comprar as “pulsas” para carregar o tlm na TT Timor Telecom, a falar para Portugal (entre Timor e Portugal há uma diferença de 9h) e a preparar o jantar. A pulsa é um sistema de carregamento do tlm e da internet que não existe em Portugal. Em Dili, há inúmeros vendedores de pulsas a diversos preços.

 A nossa última refeição do dia é sempre muito animada. Não dispensamos a sopa, a fruta e alguns petiscos que improvisamos. Comemos e rimos. Rimos e comemos.


Longe da família, esta é a nossa família em Timor.

 

  

 

 

2 comentários:

  1. Gostei da descrição. Parece cativante essa vida por aí!
    bj

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  2. Olá Maria de Deus.


    Soube há pouco pela Câncio que a minha mensagem não tinha chegado a Timor, pese embora eu me tivesse inscrito no Blogue e tivesse dado o meu mail para referência.


    De qualquer modo vou tentar rescrever o que no passado domingo escrevi.

    Dizia eu que tinha adorado ler o seu "Diário de Bordo" e que não sendo eu de letras por formação , aprecio contudo imenso uma boa escrita e, na verdade tudo o que li é uma narrativa permanente de toda a sua curta vivência nessa terra longínqua.


    Não estará uma escritora de narrativas, escondida na professora Maria de Deus???

    Em todos os seus relatos sente-se talvez um ruir de expectativas, mas acredite que é uma questão de tempo.


    São outras gentes, outras culturas e tudo é novidade para nós europeus, que estamos habituados ao conforto que a nossa cultura nos proporciona.

    Eu andei por todo o mundo e nunca fui a Timor, mas andei por essas paragens e sei bem o que é viver sem as facilidades a que estamos habituados.


    Ligar um interruptor, abrir uma torneira de água, são coisas a que já não damos importância na nossa vida, mas que aí, têm um valor acrescido por não serem permanentemente proporcionados.

    No entanto no meio de todas essas lacunas há uma coisa que é verdade e tem muita importância.


    As gentes dessas paragens são puras, honestas e amigas e, quando bem tratadas e sobretudo ajudadas nas suas falências, são amigas para a vida.

    Um dia virá, que já longe desses locais e dessas gentes, vai recordar com saudade e quem sabe alguma nostalgia, essas pessoas que consigo privaram, os locais que visitou e onde viveu, porque tudo na vida tem o seu interesse.

    Tente viver o dia a dia o melhor possivel tirando dessa estadia o que de melhor o local lhe possa proporcionar.

    Sei que tem muito para dar a essas pessoas mas certamente elas tambem terão muito para lhe ensinar, porque em todos os momentos das nossas vidas há sempre algo para aprender.

    Aí, há imenso para absorver, seja na cultura, na culinária, nos costumes, nas vestes, etc........


    Tente enquadrar-se e não se deixe isolar e verá que o tempo passará melhor e vai sair daí reforçada na sua maneira de ver e enfrentar a vida.

    Desejo-lhe tudo do melhor.

    Um beijo,

    Fernando

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