Ida ao mercado de Maliana
É necessário fazer as compras para os jantares
da semana. O melhor local será, sem dúvida, o mercado da cidade. A chuva caía
que Deus a dava e tivemos de esperar um pouco. Logo que o tempo aliviou, o
Celestino levou-nos até ao local. Pelo caminho, efectuámos uma paragem na TT
(Timor Telecom) para abastecer os tlm. Nova carga de água engrossa o caudal das
ribeiras que escorrem da serra.


Vêm-se microletes para
cá e para lá na principal “avenida” de Maliana. No mercado, os vendedores
exibem os seus melhores produtos “frescos” na ânsia de os conseguirem vender
apesar das chuvas fortes. A passagem para o lado certo, faz-se através de uma
ponte improvisada que será o resto de um portão. Com a minha falta de
agilidade, quase me desequilibro e, ao ser ajudada por uma mão desconhecida que
se estende para mim, há uma explosão de risos de um magote de gente que observa
a cena. É um misto de cores e de cheiros, de rostos de mulheres e de homens que
tentam captar a atenção do comprador. São essencialmente as mulheres que de
cócoras no chão, ou sentadas na própria banca, vendem e também mascam um
produto a que chamam “arreca” (um caroço laminado e seco) que juntamente com folhas
de “vetel” e cal dá uma tonalidade avermelhada e preta aos lábios, à boca e aos
dentes. Dou-lhes uma chiclete de morango para que experimentem. Uma delas
retrai-se e não come mas outros gostam. Explico-lhes que não a devem engolir
mas deitar fora quando não tiver sabor. Aceitam ser fotografadas e exibem o seu
melhor sorriso perante a imagem que surge na
máquina. Pequenas cebolas, alhos, batatas, tomate, chuchu, feijão
verde,…peixe seco salpicado pelas moscas, tabaco, bananas, papaias e mangas são
alguns dos produtos à venda. Quase tudo tem um preço fixo: 1 dólar ou então “lima por cem”, que quer dizer 50
cêntimos do dólar. Mais à frente, roupa
e outros produtos embalados, bolos que
fazem lembrar os donuts, fritos de
banana, pão (raro por estas bandas) e sal. Não tenho tempo de ver mais nada.
Ficará para outro dia. A minha capa de plástico é muito cobiçada mas faz-me
falta. Não a posso dar a ninguém.
Todos os sábados iremos almoçar
ao restaurante.
Hoje é sábado e no “Restaurante
& Bar Ladueña” espera-nos um belo repasto.
Como “migorã”, uma saborosa massa
fina com pedacinhos de vegetais e fiambre coberta por uma omeleta. Mas também
há frango com batatas fritas e peixe frito com beringela entre outros pratos.
É melhor nem pensar nas condições
em que tudo isto foi confeccionado. Preciso matar a fome.
Lá fora, chove torrencialmente. É
necessário recolher toda a água da chuva possível. Ela será muito útil para
lavar os dentes, a roupa e até a hortaliça.
Amiga
ResponderEliminarGosto de a ver risonha, ao lado de uma senhora com um saco à cabeça.É ela que a ajuda nas compras? O mercado é muito colorido. A fruta é gostosa? Bonita, é ela!
Não se preocupe com o artigo para a Arméria. Alguém tomará conta dele.
Vou aceder ao seu blogue sempre que puder. Gosto do que escreve.
Boa sorte. Que seja muito feliz aí, apesar da falta de algumas comodidades.
Beijinhos
Graciete
Vê lá mas é se te habituas a essas mordomias...
ResponderEliminarOlha que depois vens para Lisboa e depois...
Então e o que são as Microletes ?
Já te conciliaste com o jet-lag ?
É ao fim de uma semana que costuma bater mais forte...
Agora é que eu vou adivinhar-te a cochilar pelos sofás... ah ah ah
Sabes ? Acho que devias tentar escrever um texto com aquilo que te parece que é aí a vida. O que achas. Vais ver que não te arrependes de o escrever. E sabes porquê ? Porque daqui a uma ou duas semanas começas a entrosar-te nessa cultura e deixas de a ver como uma ocidental. Passarás a sentir-te daí e perderás a sensibilidade crítica. E depois vais achar engraçado o que disseste ao fim de uma semana de estares aí
Beijinhos e aproveita bem