O meu dia em Maliana
O meu dia de trabalho começa com o toque do despertar do
telemóvel por volta das 6h 30m.
Depois de um banho de chuveiro, são horas de tomar o
pequeno-almoço: torradas, leite ou cereais que comprei em Dili e fruta. Não há
leite. Então, ou bebo do que trouxe da capital ou reconstituo o leite em pó ou o leite condensado que
consegui encontrar. Tenho saudades de iogurte.
Cerca das 7h 40m, o nosso transporte chega para nos levar
até à escola.
Todos os dias de manhã é obrigatório fazer uma oração, ora em
português ora na língua nativa. Uma vez por semana, o hino de Timor é entoado
no espaço do recreio por todas as crianças e adultos. Uma vez por mês, é ao
mesmo tempo içada a bandeira do país. Não é fácil fazermo-nos entender pela
população e pelas crianças em especial. O português não é a sua língua materna
e apenas o falam na escola. Por vezes, é necessário recorrer ao apoio do
estagiário que traduz aquilo que queremos explicar.
Depois das 13h vamos todos almoçar a casa da D. Filomena. De
tarde, alternadamente, pode haver reunião de docentes, de E.E. e com
o respectivo estagiário. Em duas tardes por semana e, rotativamente, em grupos
de 2, damos aulas de português aos estagiários que trabalham na escola. As
aulas de tétum para professores terão início na próxima semana.
O resto do tempo é ocupado a preparar as aulas, a comprar as
“pulsas” para carregar o tlm na TT Timor Telecom, a falar para Portugal (entre
Timor e Portugal há uma diferença de 9h) e a preparar o jantar. A pulsa é um
sistema de carregamento do tlm e da internet que não existe em Portugal. Em
Dili, há inúmeros vendedores de pulsas a diversos preços.
A nossa última
refeição do dia é sempre muito animada. Não dispensamos a sopa, a fruta e
alguns petiscos que improvisamos. Comemos e rimos. Rimos e comemos.
Longe da família, esta é a nossa família em Timor.
Gostei da descrição. Parece cativante essa vida por aí!
ResponderEliminarbj
Olá Maria de Deus.
ResponderEliminarSoube há pouco pela Câncio que a minha mensagem não tinha chegado a Timor, pese embora eu me tivesse inscrito no Blogue e tivesse dado o meu mail para referência.
De qualquer modo vou tentar rescrever o que no passado domingo escrevi.
Dizia eu que tinha adorado ler o seu "Diário de Bordo" e que não sendo eu de letras por formação , aprecio contudo imenso uma boa escrita e, na verdade tudo o que li é uma narrativa permanente de toda a sua curta vivência nessa terra longínqua.
Não estará uma escritora de narrativas, escondida na professora Maria de Deus???
Em todos os seus relatos sente-se talvez um ruir de expectativas, mas acredite que é uma questão de tempo.
São outras gentes, outras culturas e tudo é novidade para nós europeus, que estamos habituados ao conforto que a nossa cultura nos proporciona.
Eu andei por todo o mundo e nunca fui a Timor, mas andei por essas paragens e sei bem o que é viver sem as facilidades a que estamos habituados.
Ligar um interruptor, abrir uma torneira de água, são coisas a que já não damos importância na nossa vida, mas que aí, têm um valor acrescido por não serem permanentemente proporcionados.
No entanto no meio de todas essas lacunas há uma coisa que é verdade e tem muita importância.
As gentes dessas paragens são puras, honestas e amigas e, quando bem tratadas e sobretudo ajudadas nas suas falências, são amigas para a vida.
Um dia virá, que já longe desses locais e dessas gentes, vai recordar com saudade e quem sabe alguma nostalgia, essas pessoas que consigo privaram, os locais que visitou e onde viveu, porque tudo na vida tem o seu interesse.
Tente viver o dia a dia o melhor possivel tirando dessa estadia o que de melhor o local lhe possa proporcionar.
Sei que tem muito para dar a essas pessoas mas certamente elas tambem terão muito para lhe ensinar, porque em todos os momentos das nossas vidas há sempre algo para aprender.
Aí, há imenso para absorver, seja na cultura, na culinária, nos costumes, nas vestes, etc........
Tente enquadrar-se e não se deixe isolar e verá que o tempo passará melhor e vai sair daí reforçada na sua maneira de ver e enfrentar a vida.
Desejo-lhe tudo do melhor.
Um beijo,
Fernando